Monday, September 25, 2006

Saturday, September 16, 2006

BIOGRAFIA


Vinícius de Moraes nasceu no bairro da Gávea, na então capital da República, passando a infância na Ilha do Governador. Já aos sete anos escrevia sua primeira poesia, gênero que o iria consagrar.
Formado em Direito, ingressou na carreira diplomática, por concurso, em
1943, servindo em Los Angeles, Paris e Montevidéu. Era também formado em Literatura Inglesa, pela Universidade de Oxford.
Desde tão cedo ligado às artes, aos dezenove anos publicou seu primeiro livro poético (Caminho para a Distância). É a fase "mística" do poeta, que segue com Forma e Exegese (1935), com o qual foi premiado, e Ariana, a Mulher (1936).
A partir de 1938, com o livro Cinco Elegias, e depois em Poemas, Sonetos e Baladas (1948), tem início sua fase de versos em linguagem mais simples, sensual e, por vezes, carregados de temas sociais.
Poeta essencialmente lírico, popularizou o
soneto na língua portuguesa, e esta forma poética tornou-se quase associada ao seu nome. Apesar do reconhecimento, da grande popularidade, Vinícius não fez parte da Academia, em seu tempo muito mais ligada à política que à Literatura.
Boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, Vinícius também era um conquistador. Foram nada menos que nove casamentos, ao longo de sua vida. Moderno, contemporâneo, sua pena marcou a Literatura Brasileira pelo verso alegre, genial, simples e ao mesmo tempo inspirado.Vinícius de Morais morreu no Rio de Janeiro, em 9 de julho de 1980.

OBRAS


OBRAS PRINCIPAIS: Ariana, a mulher (1936); Novos poemas (1938); Cinco elegias (1943);Poemas, sonetos e baladas (1946); Orfeu da Conceição (teatro-1956); Livro de sonetos (1957); Para viver um grande amor (crônicas-1962).A obra de Vinícius de Moraes, conforme ele mesmo afirma no prefácio de sua Antologia poética, divide-se em duas fases que traduzem posturas diferentes frente à vida e à criação lírica.

PRIMEIRA FASE
Correspondendo à sua formação religiosa, os dois primeiros livros inserem-se numa linha que poderia ser designada como neo-simbolista. Intensas conotações místicas, desejo de transcendência, busca do mistério e um confronto entre as solicitações da alma e as do corpo impregnam estes textos de um fervor espiritual nebuloso e rebuscado. O romancista católico Octávio de Faria disse que o poeta oscilava entre “a impossível pureza e a inaceitável impureza”. Na primeira estrofe do poema Ânsia, percebe-se este clima de “perdição” representado pelo amor físico:
Na treva que se fez em torno a mim
Eu vi a carne.
Eu senti a carne que me afogava o peito
E me trazia à boca o beijo maldito.
Eu gritei.
De horror eu gritei que a perdição me possuía a alma (...) Por outro lado, a linguagem solene, excessiva, centrada em versos longos (que remetem aos versículos da Bíblia) e no uso de adjetivação farta e de longas enumerações confere aos poemas um caráter retórico e um tom de falsidade que os tornam hoje quase ilegíveis.


SEGUNDA FASE
A partir de 1943, com Cinco elegias, a poesia de Vinícius começa a mudar. Nela - segundo o próprio autor – “estão nitidamente marcados os movimentos de aproximação do mundo material, com a difícil mas consciente repulsa ao idealismo dos primeiros anos”. Esta vinculação à realidade mais imediata dá-se esquematicamente em três planos:- o canto do amor concreto e a exaltação da mulher;- a valorização do cotidiano e a abertura para o social;- a utilização da linguagem coloquial.

SONETO DE FIDELIDADE



De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

SONETO DE SEPARAÇÃO



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

A ROSA DE HIROSHIMA

Pense nas crianças
Mudas telepáticas
Pense nas meninas
Cegas inexatas
Pese nas mulheres
Rotas alteradas
Pense nas feridas
Como rosas cálidas
Mas hó não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem vida

FRASES CÉLEBRES

  • O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado.
  • As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.
  • A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
  • Que não seja imortal, posto que é chama /Mas que seja infinito enquanto dure.

MÚSICA POPULAR

O interesse de Vinícius pela música data de 1927, quando começou a compor com Paulo e Haroldo Tapajós, mas só se firmou a partir da década de 1950. Em 1956 Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim) musicou sua peça Orfeu da Conceição, premiada no concurso de teatro do IV Centenário de São Paulo. Montada no mesmo ano no Rio de Janeiro, a peça ajudou a popularizar composições de Tom e Vinícius, como Se todos fossem iguais a você. A versão cinematográfica Orphée noir (Orfeu do carnaval), de Marcel Camus, ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1959 e o Oscar de melhor filme estrangeiro. Cada vez mais voltado para a música, escreveu letras para músicas inéditas de Tom Jobim, como Lamento do morro e Mulher, sempre mulher, gravadas em 1956. O maior sucesso de Vinícius foi Garota de Ipanema (1963), em parceria com Tom Jobim. Vinícius também fez música para seus poemas como Serenata do adeus e Medo de amar.

CINEMA

Vinícius sempre esteve ligado ao cinema: foi delegado brasileiro em diversos festivais internacionais (como Cannes, Veneza, Berlim etc.), tendo em 1966 integrado o Júri do Festival de Cannes.
Em
1967 escreve o roteiro de "Garota de Ipanema", onde aparece a versão instrumental de Tom Jobim, da célebre canção homônima ao filme, que imortalizou a Bossa Nova.
Seu drama Orfeu da Conceição (1953), levado ao teatro, foi seis anos depois filmado pelo cineasta francês
Marcel Camus - ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes e do Oscar, da Academia de Hollywood. Em 1999 o cineasta brasileiro Cacá Diegues fez uma nova versão, sem grande repercussão externa.
Em
2005 foi produzido o documentário 'Vinícius de Moraes pelo cineasta Miguel Faria Jr., em que a vida do "Poetinha" é narrada, são exibidos trechos de gravações originais, e diversos depoimentos como de Caetano Veloso mostram este importante nome das artes no Brasil.